XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
EVANGELHO – Mt 14,13-21
Naquele tempo,
quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto,
retirou-Se num barco para um local deserto e afastado.
Mas logo que as multidões o souberam,
deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e, cheio de compaixão, curou os seus doentes.
Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e disseram-Lhe:
“Este local é deserto e a hora avançada.
Manda embora toda esta gente,
para que vá às aldeias comprar alimento”.
Mas Jesus respondeu-lhes:
“Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”.
Disseram-Lhe eles:
“Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”.
Disse Jesus: “Trazei-mos cá”.
Ordenou então à multidão que se sentasse na relva.
Tomou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção.
Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos
e os discípulos deram-nos à multidão.
Todos comeram e ficaram saciados.
E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos.
Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens,
sem contar mulheres e crianças.

Este domingo já estaremos em agosto, mês em que a maioria dos portugueses goza algum período de férias. E por coincidência – ou não, encontramos Jesus a ir para o deserto, comovido pela notícia da morte de João Batista. Após um ano de trabalhos e canseiras, para muitos também marcado por algumas (grandes) perdas…, que tal um pouco de deserto? Como serão as tuas férias? Um tempo de mais correrias e muitas partilhas nas redes sociais ou haverá tempo para parar, descansar, contemplar…? Nas próximas semanas não publicaremos esta nossa rubrica, mas não deixes de te deixar interpelar pela Palavra de Deus a cada domingo!
A experiência de Jesus com os seus discípulos, devido à multidão que vai à sua procura, torna-se um momento de verdadeiro encontro e de múltiplos ensinamentos. Tal como Moisés que conduziu o Povo de Israel pelo deserto em direção à Terra Prometida, libertando-o da escravidão do Egito, também Jesus nos liberta, fazendo de nós a comunidade dos filhos amados de Deus. Para tal, que tal um pouco de deserto, para viveres esse encontro transformador com Jesus que sara as nossas feridas?
No deserto aprendemos a partilhar o pouco que temos, cinco pães e dois peixes, ou seja, tudo! O que temos, mesmo sendo fruto do nosso trabalho, é dom de Deus e, como tal, deve estar ao serviço do bem de todos, assim como todas as nossas qualidades e o nosso tempo! Hoje Jesus diz-nos a nós, diante das necessidades e fragilidades dos irmãos: «Dai-lhes vós de comer». Que tal um pouco de deserto para aprendermos a valorizar o que temos e, sobretudo, a olharmos mais à nossa volta e, como Jesus, não ficarmos indiferentes?
No deserto com Jesus participamos dum “banquete” que nos faz lembrar a Eucaristia, onde se dá graças a Deus, se parte o pão e este é distribuído por todos! Que tal um pouco de deserto para saborear a Eucaristia, acolher esse Pão que se parte e reparte, o próprio Jesus, e nos decidirmos a viver a mesma vida de Jesus?



